Como
a referimos, a Igreja de Miragaia é realmente multo antiga,
se bem que alinhemos nos que recusam a ideia de ter sido ela a
primeira Sé da Cidade, construída por S. Basilio, na
primeira metade do primeiro século da nossa era. o actual
edifício, setecentista, assoalhado e de paredes azulejadas,
tem um belíssimo altar-mor de talha dourada que, só por
sorte, escapou à sanha destrutiva de um iluminado juiz da
confraria.
Mas
o melhor é transcrever
este saboroso naco de prosa de Pinho
LeaI. "A propósito, há memória que o corpo da igreja
fora em tempo revestido em parte de obra de talha, bem como os
púlpitos, mas que um ilustrado juiz da confraria do santíssimo,
desgostoso ao contemplar aqueles dourados esmaecidos pelo
tempo, limpara as paredes daquele pejamento, e as mandara
caiar, para dar mais luz à igreja. O vândalo também queria
restaurar a capela-mor, mas por fortuna escaparam a este génio
reformador os magníficos altos-relevos que a decoram. Este
benemérito juiz foi também o mesmo que, incomodado pelo
sombrio de um quadro existente no altar de Santa Rita,
representando a profissão religiosa da Santa, o mandou pintar
a branco, de cola! E o quadro esteve longos anos assim, até
que juiz menos ilustrado o mandou lavar e restaurar, ficando
ainda alguma coisa deteriorada".
Curiosamente,
também de talha dourada temos o altar de Nossa Senhora do
Carmo, da primeira metade do século XVI, que veio do antigo
convento de Monchique. Os azulejos existentes são análogos
aos da Misericórdia e de S. Bento. São da Fabrica do Vale da
Piedade e foram colocados entre 1863 e 1876. No altar-mor há
misturas de talhas - parte barroca, do século XVII, com
parte rococó, vinda do Convento de Monchique, do século
XVIII.
E
por falar em curiosidades, relembremos a tradição de levar
procissionalente a imagem do Senhor Jesus até ao convento de
S. Bento da ave-maria (actual Estacão de S. Bento) a pedir
graça especial. Cerca de 1850 foi realizada a última destas
procissões, imaginem, a pedir chuva.
E,
por escrever isto, é também caso para lembrar que, nos
velhos tempos - ainda a orla de Miragaia era a praia junto ao
rio -, a procissão de Corpus Christi parava diante da igreja
e, sob uma vela de navio, armada em toldo, expunha-se o Santíssimo
Sacramento à adoração dos fiéis, que a par da parte
religiosa aproveitavam o tempo para ir merendando, sentados
no areal.
IGREJA
DA ESPERANÇA
Já
Henrique Duarte de Sousa e Reis se lhe refere, escrevendo
nos seus Apontamentos: "Esta capelinha foi erigida
para veneração de N. Sr.ª. da Conceição sob a invocação
de Nossa Senhora da Esperança, que deve o seu nome à ladeira
que da mesma porta sai para o Bairro de Monchique: porém,
como se demolisse a muralha nesse sítio, numa torre da fortificação
se cavou o oratório ou ermidinha para colocar com decência a
mesma imagem venerada pelos moradores mais próximos.
Na
frontaria desta capela são inequívocos os sinais de esta
pertencer a gente do mar ou do rio, e tem a curiosidade (é a
única neste género existente no Porto) de ser mais larga que
comprida. Esta desafecta ao culto, e serve só para dar lugar
aos corpos das gentes que, morrendo nas redondezas, aí são
chorados, até seguirem para o cemitério. A Irmandade de
Nossa Senhora da Esperança é quem cuida de manter a sua
capelinha em perfeito estado de conservação e limpeza, ainda
que só para esse fim. Paralelamente, organizam festas em
honra de Nossa Senhora da Esperança e de S. João.
Tinha
apenas uma riqueza: um magnifico ex-voto, com a legenda
"Milagre que fez Nossa Senhora da Esperança a J. C.
Biaia, mestre do iate Hércules, vindo de S. Johnes para
Londres, vendo-se em perigo no dia 13 de Novembro de 1858. Foi
emprestado para uma exposição nacional no Museu da Marinha,
em Lisboa. Sabe-se que veio de lá... mas
não voltou a entrar na capela. É caso para dizer: avisa-se o
seu ilegítimo possuidor que fica sujeito a ser, em qualquer
altura, demandado a devolvê-lo aos seus mais que legitimos
proprietários. E se, eventualmente, algum leitor o vir, é
favor contactar com a irmandade, porque a Esperança vai em
peso busca-lo, esteja onde estiver.
RIOS
E FONTES
Do
alto até a beira-rio, Miragaia era, e é, cruzada por um rio
que vem desaguar ao Douro. É o chamado Rio Frio, que, vindo
de Cedofeita, surge em terrenos pantanosos, onde a carrega
prolifera (e dai o nome de Carregal a esta zona, que o povo
mantém, não obstante as denominações oficiais). As gentes
das redondezas aproveitavam a agua limpa do rio para lavar as
suas roupas, chegando mesmo a encanar essa agua para a
denominada - e desaparecida - Fonte da Rua do Paço.
A
carrega desapareceu, os terrenos pantanosos também. Ficou o
jardim. Outra parte da agua do Rio Frio percorria o terreno
onde está o Hospital Geral de Santo António (e aquando da
construção deste foi o rio coberto por uma abóbada em
granito) e vinha alimentar a fonte dos Fogueteiros, na rua do
mesmo nome (também já desapareceu
a Fonte e em sua substituição surgiu a fonte que está no
Largo do Viriato).
A
rua é a actual rua Azevedo de Albuquerque, no troço junto ao
muro da Restauração (dos fogueteiros, porque existiam
aí varias fabricas de artigos de pirotecnia). Corria a agua
pelos terrenos do horto, e ainda hoje junto a Cooperativa
Arvore se pode ouvir a agua cair, para surgir na Fonte do Rio
Frio, desactivada, e nos lavadouros, no fundo do "Passeio
Publico". Daqui, e por baixo das ruas da zona, passa sob
a Alfândega até ao Rio Douro.
Alias,
o subsolo portuense é um verdadeiro emaranhado de cursos de
agua, e quando se levantam os grandes edifícios que vão
agora proliferando pela cidade - felizmente tal pecha ainda não
atacou Miragaia - quantas vezes se diz que não é por acaso
que as brumas e os nevoeiros são nossa habitual companhia.
São
várias e curiosas as fontes decorativas que surgem em
Miragaia. Não podemos referir todas, mas iremos debruçar um
pouco da nossa atenção sobre seis exemplares:
Fonte
da Colher
Não
calculam Os "palpites que ouvimos ao longo dos anos que
temos encabeçado visitas guiadas a cidade, cada vez que,
chegados a este ponto, pedimos sugestões para esclarecer tão
original nome: desde agua que só se bebia as colheres até
alguma valiosa colher que se tenha perdido nestas aguas, já
ouvimos de tudo, e, afinal, a verdade é muito mais simples e
até nem mete colheres das actualmente usadas. Neste local, na
rua de Miragaia, situava-se uma das alfândegas da cidade,
isto é, era aqui que os que vinham pelo rio, antes de entrar
pela Porta Nobre para vender na cidade pão, farinha, nozes,
castanhas e legumes, tinham de pagar o seu imposto, que não
era mais do que uma colher do artigo por cada alqueire
trazido. E digamos a propósito que cada alqueire tinha
quarenta colheres. A colher era uma medida no género do
"corredor das mercearias da nossa meninice e como era
junto da fonte que se pagava a "colher... ficou-lhe o
nome.
Fonte
do Bicho
Fica
na Rua de S. Pedro de Miragaia, junto à Igreja Matriz,
adossada à casa onde esteve instalado o Hospital do Espirito
Santo. Quando o capitão António José Borges aí edificou a
sua casa, pediu agua, que lhe foi concedida desde que
"desse agua ao povo, isto em 1821. Foi essa a razão de
nascer esta fonte, cuja agua sai pela boca de um animalejo
estranho, e daí o nome da fonte, ainda que a nós se nos
apresente como um simples golfinho.
Fonte
do Rio Frio
Mandada
edificar em 1619, para aproveitar as aguas do referido rio, é
boje considerada monumento nacional e como tal deveria ser
tratada...
Imponente,
com as armas reais ao centro, dois pináculos, um em cada
lado. Dois castelos em alto relevo ladeiam um nicho onde
estava a imagem da Senhora das Virtudes, ou seja, um pouco as
armas da cidade. Na parte inferior, duas carrancas despejam
agua para o tanque, bem delineado, que lhe serve de base.
Infelizmente, os pináculos e a imagem foram roubados e a
fonte está desactivada.
A
sua agua era considerada como verdadeiro remédio. Vinham
busca-la de longe, porque tinha 'virtudes... Cremos, no
entanto, que o nome lhe deveria vir pela vizinhança da zona
das Virtudes, e não fosse a fonte a dar origem a zona, até
porque esta é, em muito, anterior a data da fonte.
Fonte
das Taipas
Já
foi mudada de local e
de formato, estando hoje incluída na parede do lado esquerdo
da Rua das Taipas, e daí o nome lhe ficou. Da original
desapareceram os bancos de pedra que a rodeavam. o Padre
Rebelo da Costa, na obra a que já temos
feito referência, cita-a dizendo que a "copiosa agua que
sai d'ella por duas carrancas gigantescas, lavradas na mesma
pedra, enche em um minuto o maior cântaro. Ao seu lado estão
dois profundos tanques, em que diariamente lavam roupa
de vinte a trinta lavadeiras". Hoje não há tanques
para lavar roupa e o abastecimento de agua é o da Companhia,
como dizem as gentes das redondezas.
Fonte
do Monte de Judeus
Trata-se
de uma bonita fonte, de espaldar, que pertencia ao antigo
Mercado de peixe. Merece um rápido restauro e que em breve a
vejamos a funcionar.
Fonte
Hulsenhos
Na
actual Praça Artur Arcos, encontra-se, desde 1907, um raro
exemplar de fonte para animais. Tem inscrições nas
suas quatro faces, indicando na primeira "Offerecida a
Sociedade Protectora dos Animaes por D. Alice Ulsenhos em
memorea de seu pae o Conselheiro Henrique Hulsenhos", e
na face oposta 'Este fontanário fica entregue à guarda do
publico. Danifica-lo é praticar um crime contra todos os que
d'ella se utilizam'" Infelizmente, muitos se esqueceram
disso e chegou a estar imunda. No actual arranjo ajardinado do
local, a fonte, sem utilidade, faz decoração no meio da verdura
e sem acesso directo do publico.
UM
PRÉDIO CHEIO DE HISTÓRIAS
Na
esquina da Rua do Rosário com a D. Manuel II existe um famoso
edifício, não no seu aspecto, mas nas suas historias.
Comecemos... pelo principio. Uma interessante dama, de ascendência
francesa, D. Maria Huguette, de seu nome completo
Maria Huguette de Melo Lemos e Alves, foi uma das mais belas
mulheres do seu tempo e vivia a sua vida com muitas convivências
masculinas, de que lhe resultou desafogo económico, que a
levou a instalar neste prédio um hotel de luxo que baptizou
com o nome de "Hotel do Louvre".
Foi
este hotel o escolhido pela embaixada do Brasil para aí
instalar D. Pedro II, imperador do Brasil (filho do nosso D.
Pedro IV) e sua mulher D. Teresa Cristina Maria, que aí se
demoraram oito dias. No final da estada, foi-lhes apresentada
a conta: 4.500.000 réis. o imperador achou que era um exagero
e saiu sem pagar. A dona do hotel queixou-se aos tribunais e o
processo foi-se arrastando durante anos, até que o tribunal
deu, como era lógico, razão a hoteleira. E hei-la que abala
para o Brasil a cobrar a divida. E tal escândalo por la
armou, que dois portugueses, há muito radicados em terras de
Vera Cruz, acharam por bem liquidar a conta e meter a senhora
de novo no barco para Portugal. o hotel veio a acabar e a
senhora faleceu, quase na miséria, aí para Os lados do
Carvalhido.
Em
1881, foi neste prédio inaugurada uma das primeiras clinicas
particulares da cidade - a Casa de Saúde do Dr. António
Bemardino de Almeida. E, entre 1927 e 1930, aqui esteve
instalado o orfeão Lusitano. Nos anos 30, foi sede do
velhinho e popular Sport Comércio e Salgueiros.
Hoje
é sede de uma das mais prestigiadas casas da cultura
portuense - o Cineclube do Porto, fundado em 13 de Abril de
1945 por um grupo de jovens estudantes do Liceu Alexandre
Herculano, poucos meses antes de findar a II Guerra Mundial. A
primeira sede era na casa de um dos fundadores, Hipólito
Duarte, em Santa Catarina, e a primeira sessão, com o
"Fausto" de Murmau, teve lugar no salão do Clube
dos Modestos. Quanta luta, quanta incompreensão, quanto
caminho percorrido... Em 1967, o Cineclube do Porto atingiu a
milésima sessão. Entretanto, uma cisão - e, anos depois,
nova fusão - da origem ao Clube Português de Cinematografia,
o que levou a que, após a fusão, o nome artificial da
colectividade passe a ser "Clube Português de Cinematografia
- Cine Clube do Porto. Mas para o portuense basta "Cine-Clube
para reconhecer esta casa como o alfobre de tantos vultos da
cultura como - seja-nos permitida aqui uma evocação muito
particular - o Mestre Alves Costa.
UMA
SENHORA QUINTA
Da
Miragaia do alto à Miragaia
da marginal desce, na encosta central, uma vasta e frondosa
quinta, a "Quinta das Virtudes", que mereceu da pena
do escritor Mário Cláudio, alias familiar do fundador da
quinta, a saga da família do
Capitão
José Pinto de Azevedo Meireles A Quinta das Virtudes, de
onde retiramos esta magnifica descrição: "Era uma área
declivosa, onde uma tonitruante convulsão geológica se
afirmaria haver acontecido, denunciada por escarpas e
clivagens, por descamados fraguedos que espreitavam o abismo.
Recobrem as casas os diferentes níveis de telhados, de um
vermelho esmaecido e incerto, e o resto são arvoredos e
outros arvoredos". Sobre o portão principal ostenta brasão
dos Azevedo Meireles, que alias ainda lá está...
A
quinta foi vendida e vem parar, nos meados do século passado,
as mãos de
Pedro Marques Rodrigues, o Pedro das Virtudes, como ele
gostava de se intitular, e que aí montou um horto. Em 1844,
entra ao serviço da casa José Marques Loureiro, que se viria
a revelar de uma dedicação tal que 1ó anos depois lhe é
passado o negócio e logo cinco anos depois, em 1865, recebe a
distinção de "fornecedor da Casa Real". Nesse
mesmo ano lança a publico o primeiro catalogo, em língua
portuguesa, de flores, a que se segue. outro, de fruteiras.
Foi o maior coleccionador e divulgador de camélias (tinha
mais de 750 espécies diferentes). Aos 60 anos, acha que se
deve dinamizar o horto de outra maneira mais moderna e cria a
"Real Companhia Horticolo-Agricola Portuense", de
que é, alias, sócio e onde se mantém como director efectivo
até ao dia 14 de Junho de 1898, data da sua morte.
Curiosamente,
ainda desse período se encontram arvores estupendas, uma
delas pelo menos, que se saiba, único exemplar na Europa, que
estão disseminadas por vários quintais das casas da
Bandeirinha e daquela zona.
Precisamente
para que a população possa usufruir deste espaço,
iniciou-se em Fevereiro de 1996 um arranjo de fundo no Horto
das virtudes que visa toma-lo um espaço de lazer da freguesia
e da cidade.
Alias,
a Junta tem ainda um outro projecto deveras curioso:
conseguir
implantar aqui uma espécie de horto-escola, ou seja, entregar
aos jovens, sob orientação de competentes profissionais,
talhões de terra, que eles cultivarão e tratarão, obtendo
assim preparação profissional pratica in loco, com
vista a colocação futura. Seria um óptimo meio de continuar
no futuro o velho 'Horto do Pedro das Virtudes".
ZONA
DAS VIRTUDES

Ao
fundo do Passeio das Virtudes levanta-se outra das casas de
muitas historias, nesta freguesia. Os Padres Bernardos aqui
viviam nesta, elegante e espaçosa, de dois andares, com um
lindo jardim e terrenos anexos, onde se encontra ainda um pano
de muralha, com o único postigo aberto em terra, que continua
felizmente a manter-se. Quando souberam que a Junta de Obras
Publicas queria criar um miradouro público, na Praça das
Virtudes, donde se pudesse "descortinar o rio e o
mar", logo ofereceram 5oo.ooo reis e um terreno que
ficava em frente" das suas casas. Eram as chamadas
"Casas da Procuradoria e lá chegou a residir o
Procurador Geral da Congregação.
A
Câmara já tinha, em 1619, mandado levantar a Fonte do
Rio Frio, considerando-a a mais importante que a cidade
tinha, e para o seu acesso mandou abrir uma calcada, passando
a ser conhecidas como fonte e calcada das Virtudes, ao que
parece pelas curas medicinais das aguas da fonte. Plantou-se
relva na encosta e do lado direito da descida colocaram-se
bancos. Passou a ser o lugar de passeio predilecto dos
portuenses de há trezentos anos, chegando a ter de se alargar
a porta da muralha, para que os demais - ao fim e ao cabo os
que se passeavam no passeio publico - pudessem trazer os seus
coches até esta zona. Em 1787, Rodrigo António Abreu Lima,
que exercia, entre outros, os cargos de Juiz de Alfândega e
Inspector da Marinha do Douro, foi incumbido de levantar um
paredão, que infelizmente veio a ruir, sendo substituído
por outro, mandado erguer pelo Corregedor Francisco de Almada
e em cujos arcos se viriam a passar "cenas
indecorosas", como conta Horácio Marçal, "das
quais uma originou a morte de uma meretriz, assassinada por um
soldado". Dai os arcos virem a ser tapados, até meio da
sua altura, com parede a terminar em rampa, tal como hoje os
conhecemos. o Passeio, como tal, há muito que acabou.
Com
a expulsão das ordens religiosas, a casa foi posta a venda
e veio, de mão em mão, para D. Adelaide Sousa Brandão
Castro Neves e outros que, em 1923, a venderam ao "Oporto
British Club", que aí instalou a sua sede, ao gosto
tipicamente britânico. Após anos de abandono (com a
consequente deterioração e decadência dos vitrais, painéis,
frescos e tectos trabalhados) foi a casa tomada pela população
da freguesia que aí
instalou, com o apoio do Centro Regional da Segurança Social,
equipamento social de apoio, mais tarde transferido para
outras instalações. Hoje, e depois de caríssima recuperação,
esta aí instalado o SAOM - Serviço de Assistência da Ordem
da Malta.
|